sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Verdadeira identidade

Por mais indiferente que pareça, sempre gostamos de saber o que as pessoas dizem sobre a nossa identidade. Após termos a resposta, temos três opções de reação: ficamos felizes, tristes ou indiferentes. Se ficarmos tristes, após algum tempo tornamos a ficar indiferentes, afinal de contas, acabamos por dizer: “Não importa o que ele (a) diz sobre mim, seguirei em frente.” Afinal de contas, temos que caminhar para frente mesmo e não ficar nos lamentando.

Na narrativa do Evangelho de Mateus, cap. 16, vimos um fato muito curioso: Jesus caminhava com seus discípulos pela Cesaréia, localizada na região noroeste de Israel, quando repentinamente pergunta aos seus discípulos, qual identidade as pessoas lhe atribuíam: “O que o povo diz de mim?” (v.13). Esta é uma pergunta interessante, pois Jesus perguntara não a identidade que ele sabia possuir, mas a identidade que as pessoas lhe atribuíam. E assim, fazemos também com as pessoas pelas quais nos relacionamos.

A resposta dos discípulos foi que o comparavam a um profeta, como Elias, João Batista, Jeremias ou qualquer outro (v.17).

Ao elevar Jesus a um status de profeta, o povo tristemente declara que não importava muito quem Jesus era, mas sim o que ele poderia fazer. Ou seja, aproveitar ao máximo da sua pessoa para algum benefício próprio.

É fácil pensar nisso, já que o povo já conhecia os antigos profetas de Israel e as narrativas históricas já dizia, o quanto eles poderiam fazer pelo seu povo.

Desta forma, estava inaugurada a “igreja da multidão”, formada por pessoas que não se importava quem Jesus é, mas sim usufruir ao máximo das bênçãos que poderiam obter de Jesus.
O interessante é que Jesus não fez nenhum comentário a esta resposta.

Daí então, Jesus quis saber deles, seus discípulos: “E vocês? Quem vocês dizem que eu sou?” (v.15).

Pedro responde prontamente: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.”.(v.16)

Ali, Pedro deu duas respostas para a pergunta de Jesus: a primeira, de que ele era o Messias, ou seja, aquele quem foi escolhido a trazer liberdade ao povo e reinar sobre toda a terra para sempre. A segunda, de que ele era o “Filho do Deus vivo”. Aqui está uma afirmação fortíssima, já que ele estava declarando de que Jesus era o próprio Deus em carne e osso. Afinal, filho de peixe, peixinho é.

Jesus, daí então, afirma: “Simão, filho de João, você é feliz porque esta verdade não foi revelada a você por nenhum ser humano, mas veio diretamente do meu Pai, que está no céu.” (v.17).

Ou seja, Jesus está dizendo que categoricamente esta afirmação, não poderia vir naturalmente de qualquer pessoa, por conta do seu conhecimento, da sua inteligência ou da sua perspicácia, mas sim porque Deus a revelou em seu coração, e isto é uma grande revelação !

Com a afirmação de Jesus, estava inaugurada a “igreja de discípulos”, ou seja, a reunião de pessoas que se interessam em imitar a Jesus, no seu agir, no seu pensar, no seu falar. E por que ? Porque mestre a gente aprende, líder a gente segue, mas Deus a gente adora. Se há a afirmação de que Jesus é o Filho do Deus vivo, não há meio termo, ou se adora ou se rejeita. E o que é adorar ? Ter o melhor grupo de louvor ? A igreja mais adornada ? O maior templo ?

Não ! A verdadeira adoração é o quanto nós estamos empenhados a imitar aquele quem adoramos.

Jesus continua o diálogo, e estabelece a pedra fundamental da sua igreja, através da identidade atribuída de Pedro a ele: “Portanto, eu lhe digo: você é Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e nem a morte poderá vencê-la.” (v.18)

Qual pedra ? A afirmação de Pedro. Por isso, toda a igreja deveria ter como pedra fundamental a afirmação de Pedro. Ou seja, uma placa dizendo: “Aqui se adora o Cristo, o Filho do Deus vivo!”. E todas as suas ações girando em torno desta afirmação.

Assim, podemos afirmar que a verdadeira igreja de Jesus, não está estabelecida sobre placa de denominação ou sobre templos feitos por mãos humanas, mas sim sobre um agrupamento de PESSOAS dispostas a imitar o Filho do Deus Vivo: Cristo Jesus.

E a verdadeira identidade de Jesus ? Ele quer saber: “Quem vocês dizem que eu sou ?”.